terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ultrassonografia na Gestação - Riscos e Benefícios



O que é a Ultrassonografia (Ultrassom ou Ecografia) ?


A ultrassonografia é um exame que utiliza ondas de som em alta frequência para formar imagens. O aparelho de ultrassom emite as ondas e o computador traduz os ecos (os sons que são recebidos de volta) em imagem de vídeo. Na gestação, a ultrassonografia é utilizada para formar imagens do bebê, da placenta, do útero e de outros órgãos. Por ser em tempo real, é possível ver também a movimentação fetal.
Hoje, a ultrassonografia ocupa uma posição sólida na atenção pré-natal. Com esse exame, o profissional de saúde tem acesso a informações importantes sobre a evolução da gestação e saúde do bebê. O aperfeiçoamento da resolução e da qualidade dos equipamentos de ultrassonografia permite que cada vez mais diagnósticos sejam feitos com a ajuda desse exame de imagem. É importante saber também que nenhum diagnóstico pode ser feito utilizando somente a ultrassonografia. Todas as suspeitas levantadas através desse exame devem ser confirmadas utilizando outros métodos diagnósticos.

A popularização do Ultrassom




O ultrassom tem se tornado cada vez mais popular entre as mamães. É sempre uma experiência fascinante e feliz para os futuros pais poder ver a imagem do seu bebê e ouvir o coraçãozinho pulsando.  Com a oferta da ultrassonografia 3D/4D, que permite ver o bebê com  uma definição maior e em três dimensões, a procura por esse exame passou a ser ainda maior. Já existe até um aparelho de ultrassom portátil, do tamanho de um mouse, que pode ser conectado via USB a qualquer computador para mostrar imagens do feto na barriga da mãe a hora que ela desejar. O aparelhinho não funciona para diagnóstico, nem mesmo é capaz de mostrar o sexo do bebê, serve apenas para saciar a vontade dos pais de "ver o rostinho do bebê" e a posição que ele está no útero.

O importante, contudo, é reconhecer que não há comprovação de nenhum benefício no uso rotineiro desse exame durante o pré-natal, e alguns estudos sugerem que a ultrassonografia não é completamente isenta de riscos como alguns falam por aí.

Riscos da Ultrassonografia


Durante o exame o bebê é bombardeado com ondas sonoras de alta frequência e ainda não existem estudos suficientes para garantir que a exposição frequente a essas ondas sonoras é realmente segura para o bebê. Em laboratórios, ondas de alta frequência como essas são utilizadas para dissociar e até matar células. Alguns estudos sugerem que o uso excessivo da ultrassonografia pode prejudicar a formação neurológica do bebê e quanto maior for a exposição do feto ao ultrassom, maior será o risco de sua formação ser perturbada, sobretudo em exames tridimensionais (3D/4D), que empregam ondas ainda mais altas.
Dois estudos de caso-controle, aparentemente bem planejados e bem conduzidos, sugeriram que houve um nascimento de maior numero de bebês com restrição do crescimento nas gestações onde foram realizadas ultrassonografias repetidamente.

O Uso da Ultrassonografia seletiva - Indicações e Benefícios


Existe uma grande diferença entre o uso seletivo e rotineiro da ultrassonografia durante a gestação. Alguns minutos de exposição ao ultrassom não têm efeito detectável e todos os anos de utilização da ultrassonografia durante o pré-natal ja confirmaram que os riscos eventuais de uma exposição pequena valem os benefícios oferecidos à mãe e ao bebê pelos exames feitos por razões médicas, que mantêm a exposição ao mínimo necessário. Portanto, a utilização seletiva para indicações específicas na gravidez já está claramente estabelecida.



A ultrassonografia (USG) precoce possibilita melhor datação da gestação, viabilidade da gravidez e diagnostica gestações múltiplas com estabelecimento da corionicidade. A USG do segundo trimestre tem boa sensibilidade para detectar anomalias fetais e mostra-se com boa relação custo-benefício. A USG após 24 semanas não demonstrou nenhum benefício claro para a mãe ou para o feto em alguns estudos realizados, à exceção da avaliação do fluxo placentário que parece reduzir a mortalidade perinatal em alguns casos. Assim, algumas sociedades, entre elas o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) e o American College of Obstetricians and Gynaecologists(ACOG), recomendam a realização de apenas dois exames, sendo o primeiro ao redor de 12 semanas e o segundo por volta de 21 semanas, possibilitando uma melhor datação e avaliação da morfologia fetal. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a realização de três exames ultrassonográficos durante a gestação:

- Primeiro trimestre: entre 10 e 14 semanas: Para a avaliação da Viabilidade, Idade Gestacional, Determinação da corionicidade em gemelar e a medida da Transnucencia Nucal (TN).

- Segundo trimestre: entre 20 e 24 semanas: Avaliação da morfologia fetal, realização de biometria fetal e avaliação do crescimento fetal quando a gestante dispor de exame anterior (aquele do primeiro trimestre), além da avaliação do fluxo sanguíneo do cordão umbilical e da placenta e avaliação do líquido amniótico.

-Terceiro trimestre: entre 32 e 36 semanas: Avaliação do crescimento fetal, vitalidade, líquido amniótico e fluxo uteroplacentário.

"A Organização Mundial da Saúde (OMS) salienta que as tecnologias de saúde devem ser cuidadosamente avaliados antes da sua utilização generalizada. Rastreio ultrasom durante a gravidez está agora em uso difundido sem avaliação suficiente. Pesquisas têm demonstrado a sua eficácia para determinadas complicações da gravidez, mas o material publicado não justifica o uso rotineiro da ultrassonografia em mulheres grávidas."

A OMS também endossa fortemente o princípio de escolha informada no que diz respeito ao uso da tecnologia. Fornecedores de cuidados de saúde têm a responsabilidade moral de informar ao público sobre o que é conhecido e não sabe sobre a ultrassonografia durante a gravidez, e de informar inteiramente cada mulher antes a um exame de ultrassom quanto à sua indicação clínica, seus benefícios, seus riscos potenciais e as alternativas disponíveis, caso existam.